“Nosso Salvador, amados filhos, nasceu hoje; alegremo-nos. Não pode haver tristeza quando nasce a vida: dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nessa felicidade; a causa da alegria é comum a todos porque nosso Senhor, aquele que destrói o pecado e a morte, não tendo encontrado nenhum homem isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória. Rejubile o pecador, porque é convidado ao perdão. Reanime-se o gentio, porque é chamado à vida.”

O texto de São Leão Magno citado acima nos dá o sentido da festa que celebramos. Não celebramos o Natal como um fato passado. Não se trata de um aniversário, porque o aniversário de alguém ou de algum acontecimento nos representa um fato passado, que fica cada vez mais no passado e cujo acontecimento fundante nós não podemos tocar de novo. O Natal de Nosso Senhor, ao contrário, tendo acontecido uma vez por todas não pode se repetir, mas nós o experimentamos de forma misteriosa na sua celebração anual. As celebrações se repetem, não o mistério de Deus. Em cada ano, é sempre o mesmo e único mistério do Natal do Senhor que nos toca e renova a nossa vida. O mesmo São Leão nos recorda em outra passagem: “(…) o retorno do ano apresenta-nos de novo o sacramento de nossa salvação que, prometido desde o início dos tempos, foi dado no fim para perdurar sem fim.” É o Natal do Senhor, o Natal da cabeça, mas também o Natal o Corpo. O Natal é, portanto, a nossa festa, onde aquele dia glorioso nos toca através da liturgia que realizamos. Sim, o Natal é para nós um dia glorioso. Andávamos nas trevas. Tendo sido criados à imagem e semelhança de Deus, desconhecíamos o modelo a partir do qual fomos criados. Para isso o Verbo se fez carne, para revelar ao homem o seu mistério, para nos dizer o que significa ser homem e mulher (cf. GS 22). Aquele que nos criou de modo admirável, de modo ainda mais admirável restabeleceu a nossa dignidade, nos recorda a oração coleta dessa eucaristia.

Deus hoje nos presenteia com a abundância da sua palavra. Ao ouvirmos o profeta o nosso coração transborda numa grande confirmação, num grande Amém, porque de fato “os confins da terra viram a salvação do nosso Deus”. Em íntima unidade com a profecia, o salmista canta a beleza dessa manifestação gloriosa de Deus. Isaías pensa aqui no retorno do exílio, uma grande Páscoa para Israel. Todavia, o profeta tem também os seus olhos voltados para a expectativa do Messias, Aquele que salvará definitivamente Israel. Para nós, em Cristo, essa espera chegou ao fim e já temos em nosso meio Aquele que é a nossa Salvação.

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