Viver a fé na língua materna é uma necessidade vital para fazermos nossa experiência pessoal com o Deus da Vida. Foi a partir desta necessidade que um grupo de brasileiros residentes na Bélgica sentiu o desejo e a necessidade de celebrar na sua língua materna a missa de 7° dia de um ente querido. Diante desse desejo, procuraram o Pe. Piet Rabau conhecido como Pe. Pedro, belga, que viveu muitos anos no Brasil e falava o português fluentemente. O Pe. Pedro atendeu o pedido com ardor missionário e amor de Jesus no coração, celebrando a missa na capela da sua casa na Chaussée de Forest, 199 em Saint Gilles em maio de 2000.
A princípio não se imaginava que seria o nascimento de uma comunidade próspera, viva e animada, necessária para o povo brasileiro residente na Bélgica. A partir desta experiência foram realizados vários encontros com celebração da Santa Missa e discussões. Com autorização da Arquidiocese local sob o Prelado de Dom Godfried Dannels, foi fundada a Comunidade Brasileira Jesus Trabalhador. As primeiras celebrações foram realizadas no salão do prédio onde residia o Pe. Pedro, com uma assembleia variante entre 5 a 15 pessoas.

Igreja Jesus Trabalhador
Com o aumento do número de participantes, as missas passaram a ser celebradas na Igreja Jesus Trabalhador, na Chaussée de Forest 217 em Saint-Gilles e a Secretaria Pastoral, na Chaussée de Forest 199 em Saint-Gilles. Assim nasceu em 2001 a Comunidade Católica Brasileira Jesus Trabalhador.
A comunidade começava a se destacar pela alegria de se reunir numa convivência fraterna, partilha da Palavra, da Eucaristia e de um famoso cafezinho após a missa que permanece até os dias de hoje. No início, as missas eram celebradas sem folheto litúrgico, os leigos se dispunham a preparar o folheto a partir de pesquisas feita na internet, para facilitar para o celebrante que eram padres brasileiros que vinham do Brasil para estudar na Universidade de Louvain-la-Neuve e que se colocavam a disposição para atender o povo brasileiro.
No dia 6 de dezembro de 2003, aconteceu a Primeira Assembleia Comunitária, na Comunidade Jesus Trabalhador. Onde foi reestruturado comissões, grupos e equipes (Comissão Jurídica; Comissão de Habitação e Saúde; Equipe de Liturgia; Grupo de Oração; Equipe de canto; Catequese; Dízimo e Equipe de Finanças). Em seguida, em assembleia extraordinária, criaram-se uma Equipe de Coordenação; foi aprovado a elaboração de um ”Documento de Base” para a comunidade, com diretrizes e metas (denominado de Documento Cristo Operário). Nesta época, nasceu também o Conselho Pastoral Comunitário, com reuniões frequentes, objetivando melhorar e estruturar as AGC (Assembleias Gerais Comunitárias) ordinárias e extraordinárias.
Com lutas e orações constantes a Comunidade em 2004 recebeu uma Irmã da Congregação das Filhas da Caridade (Ir. Zuleide, dando um novo ânimo e impulso a comunidade.
Em 2008 a Comunidade recebeu a Irmã Shirley Anibale, da Congregação Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas, que tem como missão o serviço evangélico e missionário aos migrantes, de preferência os mais pobres e necessitados. Juntamente com as Irmãs, a Comunidade recebeu também o Pe. Antônio José, estudante como todos os outros padres que haviam passado pela comunidade. Morava e estudava em Louvain-la-Neuve e aos domingos vinha para Bruxelas para celebrar a missa e atender a Comunidade.
O Pe. Antônio cativou e acolheu a todos e a Comunidade deu um salto em número de fiéis 100 para 200 pessoas aproximadamente. As festas e almoços beneficentes passaram a serem realizados no salão da Igreja Sainte Alène, que a princípio comportava 300 pessoas. A Fabrique d’Église Jesus Trabalhador, que antes era pouco conhecida pelos membros do Conselho Pastoral da Comunidade, começou a ser descoberta e com isso foi enviado para a Commune de Saint Gilles, pedido de subsidio para melhorar as condições físicas do prédio.
A Comunidade aumentava gradativamente e perceberam a necessidade de ter um padre que estivesse constantemente a serviço dos fiéis. De novembro de 2010 a maio de 2011, a Comunidade ficou sem um padre responsável. Intensificou-se as orações e os pedidos por um padre definitivo para Comunidade, junto a Arquidiocese de Bruxelas e o bispo brasileiro, responsável pelos padres missionários no estrangeiro. Diante dessa situação todos os domingos as missas eram celebradas por um padre diferente que não tinha vínculo com a Comunidade.
Esse período durou 6 meses, de espera e orações fervorosas da Comunidade, a Comunidade teve a visita do Bispo responsável Dom Alessandro Rufinone, cartas escritas e enviadas a Arquidiocese de Bruxelas e em fim a resposta positiva no dia 01 de junho de 2011 à Comunidade Jesus Trabalhador recebeu o Padre José Mario Ribeiro como Pároco responsável.
O Padre José Mario havia uma experiência de quase 25 anos de sacerdócio, sendo que 11 anos foram com migrantes fora do Brasil. Com sua chegada vários projetos foram concretizados. Expansão de grupos e pastorais, renovação do prédio para melhor acolher os fiéis, que passou de 200 para 500 pessoas aproximadamente, casa paroquial e a secretaria permanentes, a comunidade fez a primeira grande peregrinação a Israel com 43 pessoas e aumento do número de Celebrações Eucarísticas semanais, de uma Celebração dominical para 6 Celebrações por semana (terça-feira na casa das Irmãs, quarta e sexta-feira na casa paroquial e aos domingos às 11h30 e às 18h.
A pastoral da Comunicação foi reorganizada e houve o aumento de meios de divulgação da Comunidade com a criação da Revista Migrante, site da Comunidade, página no facebook e publicações na revista AB Classificados.
A partir de novembro de 2013 a março de 2015, chegaram para intensificar o trabalho de Evangelização os missionários da Comunidade Missionária Providência Santíssima, o Pe. Patrick, Ir. Marinalda e Ir. Pamela.

Paróquia Santo Antônio de Pádua
A Comunidade deixou o Prédio da Igreja Jesus Trabalhador e se engajou na Paróquia Santo Antônio de Pádua que se localiza na Rue des Moines, 26 – 1190 Forest. Isso aconteceu em 15 de junho de 2014.
Depois de 4 anos realizando seu trabalho de evangelização. Pe. José Mario retornou para o Brasil no dia 06 de setembro de 2015 e no dia 24 de novembro de 2015 a Comunidade recebeu o Padre Emerson Rossine de Lima.
Com a chegada do Pe. Emerson, foi criado em fevereiro de 2016, o Conselho Paroquial Administrativo, que tem como função auxiliar em todas as questões administrativas da comunidade.
No ano de 2016 a comunidade recebeu novo Padre e Irmãs. Em março a Comunidade recebeu a Ir. Carmem da Congregação Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas. Em abril, Ir. Rose, em 15 de outubro Pe. Anderson e em novembro, a Ir. Miriam, missionários da Comunidade Missionária Providência Santíssima.
No período em que eram celebradas as missas na Igreja de Santo Antônio participavam cerca de 300 pessoas nas missas dominicais.

Paróquia Sainte Alène
Devido a muitas dificuldades nas questões de infraestrutura da Igreja Santo Antônio, com sérios problemas no telhado da igreja, que acarretava em muita água dentro da Igreja quando chovia. Em reunião com o Padre Responsável da Unidade Pastoral de Saint Gilles e todo nosso conselho de pastoral e administrativo foi decidido por bem a mudança para a Igreja Sainte Alène.
Nos meses de julho e agosto de 2017 a comunidade se mobilizou nas reformas necessárias e no dia 10 de setembro de 2017 foi celebrada a primeira missa da Comunidade na então nova casa, Igreja de Sainte Alène.
Com a mudança para a nova Igreja a nossa comunidade experimentou também um grande crescimento. Hoje temos uma participação de cerca de 600 pessoas em nossas missas dominicais e também um crescimento significativo da catequese.